60 horas

julho 10, 2011 § 2 Comentários

Tempo suficiente para ir ao Japão, comer um sashimi e voltar para São Paulo. Mesmo assim, eu prefiro o calor e o desconforto de viajar de rede em uma balsa lotada com apenas dois banheiros.

Partimos de Belém na tarde de sexta-feira, 1o de junho. Fiquei fascinado pela cidade. As ruas da capital do Pará explodem culturalmente, em cores, ritmos e sabores. Gostaria de ter filmado mais esses aspectos que tanto chamaram minha atenção, mas fui repreendido pelo André toda vez que tirava minha câmera da mochila.

Existem outras opções para se chegar a Altamira: de ônibus, uma viagem de 15 horas por uma estrada péssima e perigosa, ou de avião, por um preço um tanto quanto salgado.

A balsa, entretanto, é de longe a melhor opção. Não é todo dia que se tem a oportunidade de navegar pelo Amazonas, apreciar o nascer do sol na água azulada do Xingu e muito menos dormir com o barulho ensurdecedor de um motor no pé do ouvido.

Durante o percurso, conheci muitas pessoas interessantes. Elas me ajudaram a reunir informações importantes para a realização do documentário e a entender melhor o conflito em torno de Belo Monte.

Captei imagens que me encheram os olhos, como a de crianças ribeirinhas que se aproximavam a bordo de canoas para vender camarão, açaí, goiaba e jambo, uma fruta típica daqui.

Atracaremos no porto de Vitória do Xingu na madrugada de amanhã, segunda-feira. Chegando lá, teremos percorrido 700 milhas náuticas (quase 1300 km) de viagem pelos rios da região amazônica e apenas um trajeto de 40 minutos de ônibus nos separará de Altamira, nossa cidade-base.

03/07/11 – 16:00

Uma viagem imprevisível, um documentário sem nome

julho 5, 2011 § 1 comentário

Ainda a tempo e encorajado pelo meu parceiro de empreitada, André Solnik, decidi montar um blog a respeito da minha viagem para a região do Xingu, no estado do Pará.

Neste exato momento, estou pendurado em uma rede, amontoado ao lado de outras 50 pessoas em uma balsa que se aproxima do rio Amazonas e que, ao final do trajeto, terá nos levado até Vitória do Xingu, última parada antes de Altamira, “o olho do furacão”.

André, como de costume, descansando

Antes disso, passei duas noites em Belém, onde fiquei hospedado na casa da Dona Socorro, cujo filho, Rafael, o André conheceu pelo Couchsurfing, um site de relacionamentos para pessoas que gostam de viajar mundo afora. Eles moram em Terra Firme, bairro da periferia da cidade, em uma casa que fica em cima de uma padaria e uma academia de ginástica.

Aproveitamos esse tempo para acompanhar uma manifestação contrária a Belo Monte, que ocorreu no centro da cidade, e para conhecer o mercado Ver-o-peso, um dos lugares mais incríveis em que já estive. Registrei tudo isso com a minha câmera e pretendo dar uma pequena amostra dessa aventura nos posts a seguir.

Até então, nossa única certeza é de que estamos a bordo da balsa Gabriela, que transporta mercadorias para as cidades de Breves, Gurupá, Porto de Moz, Senador José Porfírio e Vitória do Xingu.

O restante da viagem promete ser uma incógnita. Nosso maior desafio, provavelmente, será conseguir passar um tempo em pelo menos uma das aldeias indígenas da Volta Grande do Xingu, trecho de aproximadamente 100 km localizado a jusante da futura barragem.

02/07/2011 – 18:36

Onde estou?

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